Existe um bolo que atravessa fronteiras, carrega memória e transforma quem o prova. Ele se chama Medovik — e, se você ainda não o conhece, esta história vai mudar isso.
O que é o bolo Medovik?
O Medovik é um bolo tradicional russo feito com camadas finíssimas de massa de mel, intercaladas com smetana — um creme azedo típico do Leste Europeu. O nome vem da palavra russa para mel: myod (мёд).
Diferente dos bolos que conhecemos no Brasil, o Medovik não é exuberante nem muito doce. É preciso. Delicado. Cada camada é fina como papel, e o conjunto cria uma textura única: macia, levemente ácida, com o mel presente sem ser enjoativo.
É o tipo de sobremesa que não grita. Sussurra.
A origem: um bolo com história imperial
Conta a lenda que o Medovik foi criado no século XIX, na corte do czar Alexandre I. A imperatriz Elizaveta Alexeievna não suportava mel — e um jovem confeiteiro, sem saber disso, preparou uma sobremesa à base do ingrediente. Ela experimentou, adorou, e só depois descobriu o que havia comido.
Verdade ou não, o fato é que o Medovik se tornou um dos bolos mais queridos da Rússia e do Leste Europeu, presente em festas, reuniões de família e celebrações por gerações.
Uma curiosidade: apesar da lenda imperial, o Medovik não aparece nos livros de receitas russos do século XIX. Ele se popularizou de verdade na era soviética, quando virou presença garantida em aniversários e mesas de família — e é dessa época que vem a receita que conhecemos hoje.
Como o Medovik chegou ao Rio de Janeiro
A história começa nos livros. Raisa Coppola, fundadora d’O Medovik, cresceu lendo literatura russa desde a adolescência. Dostoiévski foi a porta de entrada para um universo cultural que ela não largou mais — óperas, grupos de estudo, uma conexão profunda com a Rússia que existia muito antes de qualquer receita.
Em 2018, no fim de sua pós-graduação em psicologia, Raisa viajou à Rússia pela primeira vez. E lá, provou o Medovik.
A experiência foi de reconhecimento imediato. Não era um doce qualquer. Era algo silencioso e profundo — como a literatura que ela lia. De volta ao Brasil, tentou encontrar o bolo por aqui. Não encontrou. Então foi pesquisar: traduziu receitas em russo, assistiu a vídeos, testou proporções.
A primeira tentativa não funcionou. A segunda ficou melhor. Até que ela levou o bolo para sua professora de russo — uma nativa — quase como quem pede desculpas por ousar. A resposta veio direta: “Tem gosto da Rússia. E ainda melhor.”
Do consultório à confeitaria
Formada em psicologia com mestrado e atuação clínica, Raisa não planejou abrir uma confeitaria. Em 2021, durante a pandemia, com os atendimentos reduzidos, começou a vender o bolo sem grandes pretensões — “até tudo voltar ao normal”.
O normal não voltou. E o bolo ganhou vida própria.
As primeiras fotos no Instagram despertaram curiosidade imediata. As perguntas se repetiam: “Que bolo é esse?”, “Você é russa?”. Raisa respondeu todas. Criou conteúdos semanais. Explicou ingredientes, história, textura e contexto cultural. Falou de literatura e de memória.
Sem perceber, construiu algo raro: uma comunidade interessada não apenas no sabor, mas na narrativa.
As encomendas cresceram. O Dia das Mães foi o alerta definitivo: a cozinha de casa não comportava mais a produção. Em 2022, a O Medovik abriu sua loja em Ipanema — a primeira confeitaria especializada em doces do Leste Europeu do Rio de Janeiro.

O prêmio que confirmou o que os clientes já sabiam
Em 2024, a O Medovik foi eleita o Melhor Bolo do Rio de Janeiro pela Veja Comer & Beber — um dos prêmios mais respeitados da gastronomia carioca.
Não foi surpresa para quem já conhecia. A avaliação média no Google é 4,8 de 5 — construída fatia a fatia, cliente a cliente.
Além do Medovik: outros clássicos do Leste Europeu
A confeitaria não para no bolo que deu nome ao negócio. Raisa pesquisou e resgatou outros clássicos soviéticos que praticamente desapareceram do mundo ocidental:
Bolo Kiev — merengue com nozes, creme aveludado e mousseline de chocolate. Uma joia da confeitaria do antigo CCCP, com textura aérea e sabor marcante.
Bolo Leningrado — massas amanteigadas com mousseline de chocolate, glaze de cacau e avelãs tostadas. Intenso e elegante.
Bolo Moskvá — merengue de avelã com pasta de avelã, doce de leite e conhaque. Para quem quer se perder de vez.
Cada bolo vem acompanhado de pesquisa, contexto histórico e intenção. Não são apenas sobremesas — são histórias comestíveis.
Onde provar o bolo Medovik no Rio de Janeiro
A O Medovik fica em Ipanema, no coração da Zona Sul carioca:
- 📍 Endereço: Rua Visconde de Pirajá, 156, sobreloja 203 — Ipanema, Rio de Janeiro
- 🕐 Horário: segunda a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 17h. Fechado aos domingos e feriados nacionais.
- 🎂 Bolos inteiros: encomende pelo WhatsApp (21) 99579-9904. Medovik Original, Caramelo e Nozes à pronta entrega; demais sabores com 48h de antecedência.
- 🛵 Delivery: peça pelo nosso delivery — o preço é menor que nos apps. Entregamos em todo o Rio e em Niterói.
- 📱 Instagram: @o.medovik
Perguntas frequentes sobre o Medovik
O Medovik é muito doce?
Não. É um bolo de doçura delicada: o mel aparece sem enjoar, e o creme azedo (smetana) equilibra tudo com uma acidez leve.
O que é smetana?
É um creme de leite fermentado, levemente azedo, muito usado na culinária do Leste Europeu. É ele que deixa o Medovik leve e úmido.
Quantas pessoas serve um Medovik inteiro?
O tamanho pequeno serve de 8 a 12 pessoas, e o grande, de 12 a 16. Os preços de todos os bolos estão no cardápio.
Preciso encomendar com antecedência?
O Medovik Original e as versões com caramelo salgado ou nozes ficam à pronta entrega. Para os demais sabores — Kiev, Leningrado e o Especial do Mês — pedimos 48h de antecedência.
Como conservar o Medovik?
Mantenha o bolo na geladeira até a hora de servir. Fora dela, ele aguenta cerca de 3 horas, longe de luz direta.
Vocês entregam?
Sim, em todo o Rio de Janeiro e em Niterói. Encomende pelo WhatsApp ou peça pelo nosso delivery.
Se você ainda não provou o Medovik, essa leitura é o seu sinal. Algumas experiências não têm tradução — só sabor.

